Existe, há vários meses, um depósito ilegal de resíduos junto ao ecoponto dos Olivais, na União de Freguesias de Santa Catarina da Serra e Chainça [concelho de Leiria], a escassos metros do recinto vedado da escola do 1.º ciclo e do jardim de infância.
O que era um ponto de deposição de embalagens transformou-se numa lixeira a céu aberto. Sofás, colchões, chapas de fibrocimento, painéis de madeira, estruturas metálicas, grades, caixas de plástico e dezenas de sacos pretos acumulam-se ao longo da berma e encostados ao muro, ocupando parte da faixa de rodagem. Os contentores estão permanentemente rodeados de material que ninguém recolhe.
A situação é grave por três razões.
Primeira: a proximidade da escola. Falamos de crianças em idade pré-escolar e do 1.º ciclo que passam diariamente ao lado de resíduos indiferenciados, expostos ao sol, num verão de temperaturas altas. Este tipo de acumulação atrai roedores, baratas e mosquitos, gera odores e cria condições sanitárias impróprias para qualquer espaço, quanto mais para um que confina com um estabelecimento de ensino.
Segunda: o risco de incêndio. Estamos em plena época crítica, numa zona rural, com vegetação seca a menos de um metro dos sacos. Um único descuido — um vidro, uma ponta de cigarro — e temos um foco de incêndio encostado a matos e a habitações. Entre o material depositado há ainda o que aparenta ser fibrocimento, cuja remoção exige procedimentos próprios e que não pode simplesmente ficar a degradar-se na berma.
Terceira: a segurança rodoviária. Muitas das estradas que servem os Olivais não têm passeio nem berma transitável. Quem se desloca a pé — incluindo crianças a caminho da escola e idosos — caminha pela faixa de rodagem. Neste momento, a vegetação por cortar junto às bermas e o próprio lixo empurram ainda mais os peões para o meio da estrada. Não é uma questão de estética: é uma questão de evitar que alguém seja atropelado.
Nada disto é novo e nada disto foi comunicado com surpresa. Passaram-se meses. As ervas continuam por cortar, os monos continuam por recolher e o problema continua a agravar-se a cada semana que passa.
Compreende-se que a freguesia é extensa e que os recursos são limitados. O que não se compreende é que uma localidade na extremidade do território seja tratada como se estivesse fora dele. Os moradores dos Olivais pagam os mesmos impostos e as mesmas taxas de resíduos que os restantes. Esperam o mesmo serviço.
Fica o apelo à Câmara Municipal de Leiria e à Junta de Freguesia: recolha imediata dos monos, limpeza das bermas e um calendário público de manutenção que inclua esta localidade. E, se o problema é a deposição ilegal reincidente, então que se avance para sinalização, vigilância e contraordenações, mas que se avance.
Não pedimos favores. Pedimos que não nos esqueçam.
Hugo C.
Olivais, Santa Catarina da Serra, Leiria