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A propósito: Não está certo!

De mochila pronta e depois da verificação dos horários, eis que nos pusemos a caminho. Destino: S. Martinho do Porto.

Leonor Lourenço, professora bibliotecária leonorplourenco@gmail.com

De mochila pronta e depois da verificação dos horários, eis que nos pusemos a caminho. Destino: S. Martinho do Porto. O transporte de comboio pareceu-me uma opção acertada. A natureza é tão retemperadora que, decerto, iria ajudar-me a recuperar forças.

Aguardei pelo comboio com a dúvida sobre de que lado da linha me deveria posicionar. Quis esclarecer-me mas, às nove horas e meia, nem a bilheteira estava ainda aberta, nem aparecia quem me pudesse dar a desejada informação. Quando estava quase a chegar o comboio, alguém, em quem decidi confiar, diz-me que este vem do outro lado da linha. Atravesso-a e aguardo por um sereno passeio.

Chegado o comboio, sento-me na expectativa de aproveitar a paisagem mas reparo que o comboio está “decorado” com grafittis o que me impede a visibilidade. Tento alguns minutos depois mudar de lugar, mas o comboio encontra-se cheio. Tinham entretanto entrado mais pessoas. Lembro-me de ter lido que pretendiam acabar com a linha do oeste e decidi contar o número de passageiros que iam em pé, vinte e dois incluindo crianças. Com um bilhete de cerca de 4 euros e cinquenta cêntimos não se aceita que se viage em tais condições. De rever a situação, por favor! Apetece pagar só meio bilhete e recusar o pagamento de crianças que se baloiçavam agarradas às pernas de familiares. Não há direito ! Não está certo!

(texto publicado na edição de 4 de julho de 2013)