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A propósito: Palavras

Há momentos em que a nossa alma está de bem com a vida e em que tudo parece fluir facilmente;

Leonor Lourenço, professora bibliotecárialeonorplourenco@gmail.com
Leonor Lourenço, professora bibliotecária leonorplourenco@gmail.com

Há momentos em que a nossa alma está de bem com a vida e em que tudo parece fluir facilmente; em que enfrentamos lutas titânicas e levantamos barreiras com leveza e com um sorriso nos lábios; mas há outras em que o simples movimento do corpo nos é penoso e nos amargura a maior parte do nosso dia. Há momentos que os dedos percorrem o teclado quase em auto gestão e as palavras irrompem com uma fluidez que chega a ultrapassar a nossa capacidade de raciocínio. Há palavras que nos consomem com o seu silêncio e palavras que brotam como uma fluida gota brota da “pipeta” dum figo melado e maduro.

Há palavras em que o aroma da saudade nos transporta a um tempo longínquo e ao colo de um familiar, há muito partido, ou à fisionomia apagada de um inolvidável amigo. E há palavras ditas ou omissas que nos resgatam ou resgatariam dos mais tenebrosos dias que vivemos. Há palavras que nos fascinam e às quais não resistimos, tal o seu poder de sedução. Enfim, há a tristeza ou nostalgia do som das palavras, tanto das pronunciadas, como das omitidas. Mas… para além disto, do pensado e não pensado, do dito e do não dito, há o sorriso. O sorriso, esse veículo que podemos usar, mesmo para apagar o fogo da alma, quando ela nos queima ou nos dói.

… Por isso, lance mão do seu sorriso. Por hoje, aqui fica o meu!

(texto publicado na edição de 16 de outubro de 2014)