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A propósito: No limite

Dizia S. Exupéry: “O essencial é invisível aos olhos”. E um provérbio alemão diz: “Fala para que eu te veja”.

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Leonor Lourenço, professora bibliotecária leonorplourenco@gmail.com

Dizia S. Exupéry: “O essencial é invisível aos olhos”. E um provérbio alemão diz: “Fala para que eu te veja”. Várias vezes ouvimos lamentar o facto de muitos jovens pouco conhecerem o 25 de Abril e não terem voz crítica sobre a política. No ano passado fui ao forte de Peniche e, após ter relembrado vários factos, decidi pesquisar na internet algo que pudesse mostrar aos alunos. Encontrei um vídeo com depoimentos sobre a forma cruel como tratavam os presos políticos. Foi o suficiente para que os alunos se mostrassem interessados em saber mais. Conhecer os factos através dos que os viveram permite uma maior consciência, credibilidade e identificação. Em boa hora regresso a este forte para, inserida nas comemorações do 25 de abril, assistir a uma visita guiada. Dialogo com o mais idoso preso político, Edmundo Pedro de 95 anos, um dos primeiros presos políticos do Tarrafal, sobre as condições sub-humanas em que estes foram tratados. Estou presente no lançamento do pertinente livro “No Limite da Dor”, da Editora Parsifal, que reúne testemunhos de presos políticos e mais uma vez confirmo que os testemunhos, neste caso, pungentes e profundos, são o caminho mais coerente e verdadeiro para uma correta análise e consciência política e cívica.

Na visita, vários jovens!…

(texto publicado na edição de 30 de abril de 2014)