Desde o início do mês, a página online do REGIÃO DE LEIRIA registou mais de dois milhões de visualizações. Só na última semana, os nossos artigos foram vistos mais de um milhão de vezes. É um número impressionante que espelha quão ávidas as pessoas estão de informação e como esta é, afinal, um bem de primeira necessidade.

Para nós, é muito gratificante. É a prova de que somos úteis, relevantes e credíveis. Sujeitos às mesmas restrições e longe do nosso posto de trabalho, continuamos a fazer o que fazíamos. Com uma diferença. Há várias semanas que a nossa redação trabalha dia e noite, sem fins de semana, feriados ou folgas.

Nas equipas de grande dimensão existem turnos. Nas pequenas, como a nossa, não é possível. Isso, porém, não nos faz esmorecer. Até que o corpo e a mente nos deixem, estamos empenhados na missão de informar com rigor e seriedade.

Nesta relação intensa que os leitores têm mantido connosco, lendo, partilhando e comentando os artigos que publicamos, tem-nos chegado de tudo. Os que nos agradecem e felicitam. Os que simpaticamente alertam para erros ou “gralhas”. Os que contestam os títulos. Os que comentam sem ler. Os que interpretam o contrário do que está escrito. Os que nos agridem verbalmente.

Enquanto as ruas estão vazias, as casas estão sobrepovoadas. Muitas são espaços exíguos, sem uma varanda onde se possa dar 10 passos.

Apinhados, sem liberdade, sem ocupação disciplinada e sem conseguirem gerir o medo, é nas redes sociais que muitos vertem a sua raiva. E os jornalistas são sempre um alvo apetecível.

O que boa parte parece ignorar é que por detrás de cada artigo jornalístico está uma pessoa. Como todas as outras, está a viver em clima de incerteza e insegurança. Está longe dos colegas. Está fechada. Está a sair à rua em reportagem. Está a deixar de atender a pais e filhos que também os tem. Está sem tempo e sem espaço para si. Está tudo isto, sem deixar de estar para o que importa neste momento: informar.

Se nestas circunstâncias algum pedido nos é permitido fazer, aqui fica: não comente sem ler e pense duas vezes antes de hostilizar.

Estamos aqui consigo. Do mesmo lado da barricada.