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Palavras sem amarras: Ligações afetivas (II)

Hoje gostaria de vos falar de um outro local de que gosto muito: o Marachão.

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Graça Poças Santos, professora graca.santos@ipleiria.pt

Hoje gostaria de vos falar de um outro local de que gosto muito: o Marachão. Utilizo as palavras que António José Saraiva, em 1943, escreveu à sua namorada sobre as impressões que teve da cidade onde nasceu em 1917, residiu durante 15 anos e voltou para visitar o seu irmão José Hermano Saraiva que aqui estava a cumprir o serviço militar: “Cheguei a Leiria à noite, e encontrei o José num jardim onde à noite se junta toda a gente de Leiria. A cidade é lindíssima, muito mais do que eu pensava e também muito mais do que qualquer outra terra que eu conheça. É clara, limpa, calma, antiga e toda cheia de coisas belas. As camponesas que andam pela cidade são todas airosas e usam uma espécie de chapéu que não se encontra em mais parte nenhuma: é uma espécie de cilindro revestido de veludo preto, (…) e geralmente com pedras de cores vivas na cavidade superior. Lembras-te de eu te contar um sonho que tive de ir a Coimbra e ver o rio correndo por entre as árvores? Pois encontrei isso em Leiria, num sítio extremamente lindo chamado Marachão, à beira do rio Lis.”
(in “Só para meu amor é sempre Maio – cartas de Verão de 1943”).

Por acaso, é o local onde moro, bem perto do rio. É bom ver todos os dias as pessoas de Leiria, de diferentes idades, desfrutarem deste espaço privilegiado.

(texto publicado na edição de 30 de abril de 2014)