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Pensamentos avulsos: Deus não mora em lojas

Deus é a resposta fácil às perguntas para as quais não temos uma resposta boa e é consequência da nossa dificuldade em aceitar a resposta “não sei”.

Cláudio Tereso, técnico de informática claudio@claudiotereso.com

Deus é a resposta fácil às perguntas para as quais não temos uma resposta boa e é consequência da nossa dificuldade em aceitar a resposta “não sei”.

Por mais que não o aceitemos, há situações na vida que estão fora do nosso controle, dependem do acaso e de variáveis que não dominamos e não é por rezar ou fazer sacrifícios que elas mudam. Se é verdade que se obtém com essas atitudes algum conforto psicológico, não é menos verdade que o preço a pagar é por vezes demasiado alto.

É em nome desse conforto e na procura dessas inócuas respostas que todos os anos milhares de pessoas põem em causa a sua saúde com peregrinações fisicamente duras e muitas vezes também o seu sustento com donativos incompreensíveis. É penoso ir a Fátima nesta altura do ano e ver, na loja de promessas que é o Santuário, pessoas a humilharem-se porque têm a triste ilusão que os lojistas têm uma cunha com Deus e que Ele ficará agradado por os ver de joelhos naquele local.

Nunca percebi esse conceito de um Deus bondoso que exige sacrifícios aos seus seguidores e omnipresente mas que precisa de ser contactado através de intermediários. É provável que a “simples” Razão não seja suficiente para entender este fenómeno e que para o fazer seja necessário ser “abençoado” com Fé. Mas a Fé, mais que o amor, é cega e como tal má conselheira, por isso acho que dispenso o privilégio.

(texto publicado na edição em papel de 27 de abril de 2012)