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Quilómetro 130: Pressas

Cada vez vivemos mais depressa e à pressa. Até aos fins de semana, temos pressa em chegar e saímos à pressa.

Cláudio de Jesus, engenheiro do Ambiente claudiojesus2012@gmail.com

Andamos sempre com pressa. Pressa para apanhar o autocarro, o metro ou o comboio. Pressa porque o trânsito nos fez atrasar em algum lugar. Pressa para levar os filhos à escola ou para não chegarmos atrasados ao emprego.

Cada vez vivemos mais depressa e à pressa. Até aos fins de semana, temos pressa em chegar e saímos à pressa. Vamos a correr porque o filme no cinema está mesmo a começar. Saímos à pressa de casa dos amigos, porque está na hora de ir pôr as crianças a dormir. Mesmo no supermercado conseguimos ter pressa. E exasperamos na fila, seja no talho ou peixaria, ou simplesmente à saída nas caixas para pagar.

Em Lisboa, é usual ve­rem-se as pessoas ao balcão dos cafés, snack-bares e pastelarias, a comerem de pé e apressadamente, com um ar de comprometimento com o tempo que vem a seguir e sempre a controlarem as horas no relógio de pulso. O tempo tomou conta de nós, impõe-nos a sua vontade e controla o nosso destino.

As novas tecnologias permitem-nos fazer tudo muito mais depressa. Computadores, ligações remotas de acesso à internet, correio eletrónico sempre disponível e ao alcance de um simples toque. Mas, seremos mais produtivos assim, seguindo este modelo apressado de viver? Tenho dúvidas. E saudades. Dos tempos em que não tinha pressa.

(texto publicado na edição em papel de 4 de maio de 2012)