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É sexta-feira foge comigo

É sexta-feira foge comigo: “A viagem”

Queres ir a Paris comnosco? – perguntaram dois casais de amigos.
– Claro que quero. Óptima ideia!

Queres ir a Paris comnosco? – perguntaram dois casais de amigos.
– Claro que quero. Óptima ideia!

Num cenário de – depois combina-se – e com a esperteza saloia daquelas senhoras no supermercado, quando metem as compras na zona da caixa registadora, mas ainda vão buscar mais qualquer coisinha, quando voltou a saber deles, já tinham partido sem ele, armados em cultos, comprar catálogos de pintura e arquitectura em saldos e satisfazerem-se, um par de cada vez, na casa de banho comum de uma pensão ranhosa parisiense.

– Não estava nada à espera disto – pensou – porque é que se deram ao trabalho de me convidar em primeiro lugar? O melhor será ir ter com o pessoal que está lá em Barcelona. Já ando a adiar isto há imenso tempo.

E como que para se compensar do episódio, meteu – se no carro e fez-se à estrada. Sentia-se livre, aventureiro, alerta, capaz naquele momento de viajar até à China. A meio caminho de Madrid (depois de um túnel) os bocadillos de lomo na estação de serviço Portugal ao pé da Central Nuclear de Almaraz, souberam-lhe tão bem! Tudo aquilo era emocionante.

Nos arredores da capital espanhola de madrugada, a Rádio 3 passava um concerto do argelino Rachid Taha, onde o ponto alto foi a versão de Rock de Casbah dos The Clash. Pernoitou numa estação de serviço numa zona não muito longe de onde passa o Meridiano de Grennwich, assinalado com um arco branco luminoso de uma ponta a outra da auto-estrada.

No dia seguinte, sem dormir mas já em Barcelona, como quem combina no café do costume, ficou de aparecer às duas no gato. Apesar de ser a sua primeira visita, embarcar e fazer parte daquela rotina adoptada por quem lá mora, fazia-o também sentir-se um pouco como parte da cidade.
– Ás duas no gato. Que maravilha, vamos lá! – pensou.
O tal gato, era uma escultura enormíssima em metal de um felino escuro, ponto de referência e encontro no bairro típico do Raval.

Comeu um kebab com os amigos num café paquistanês e sentiu-se feliz.

texto: Pedro Miguel
locução: Sandra Ferreira
música: Doctor Majick
vídeo: a9))))

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