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The Legendary Tigerman. Leiria dá início à digressão de "How to become nothing"

O Teatro José Lúcio da Silva marca o início da digressão do novo projeto de The Legendary Tigerman, um cine-concerto que antecipa o lançamento de um novo disco e não só.

A viagem de Paulo Furtado pelo deserto Joshua Tree, na Califórnia, Estados Unidos da América, chega aos palcos nacionais a partir do dia 28 de janeiro, através da digressão do cine-concerto “How to become nothing”.

O espetáculo é uma das faces de um projeto multimédia que contempla o lançamento do novo disco de The Legendary Tigerman. A primeira paragem é em Leiria, seguindo-se Braga, Ovar, Faro, Torres Novas e Fundão.

“Sempre houve o pretexto de fazer discos para depois fazer filmes e exposições de fotografia. Mas começarmos pelo processo do filme e depois fazer um disco é a primeira vez que acontece”, explica à agência Lusa Paulo Furtado.

O projeto teve como ponto de partida a história de um homem que se quer tornar em nada, através de uma viagem espiritual e física pelo deserto.

Durante 12 dias, Paulo Furtado fez essa viagem na companhia do realizador Pedro Maia e da fotógrafa Rita Lino, inspirando-se no deserto californiano para compor a maioria dos temas para o novo disco.

“A premissa inicial era fazer qualquer coisa que se desdobrasse”, recorda Pedro Maia. “Mas, obviamente, nunca pensámos que ganhasse esta dimensão”.

Além do disco e de todos os materiais promocionais associados, surge agora o cine-concerto e, mais tarde, serão lançados uma longa-metragem, um livro e uma exposição.

No cine-concerto que agora se estreia, tudo será a manipulação ao vivo, tanto música como imagem: Paulo Furtado e Pedro Maia vão comunicando e todas as decisões são tomadas ao vivo, a partir de um guião pré-definido.

“É um formato não muito habitual por cá”, sublinha o realizador, enquanto Paulo Furtado acredita que o espetáculo vai ao encontro da vontade do público querer “ver coisas um bocadinho diferentes do convencional”.

O músico recorda “Estrada de Palha”, de 2012, outro projeto em que participou, com Rita Redshoes e o realizador Rodrigo Areias, e que foi visto “por mais de oito mil pessoas, antes de estar em sala”.

“Mais pessoas viram o filme em formato cine-concerto do que em sala. Este é um outro modo de levar cinema às pessoas, mais interessante, porque é uma coisa que está viva e a acontecer naquele momento”, acrescenta.

Especialmente composta para o filme, a música de “How to become nothing” “não tem nada a ver com o novo disco” de The Legendary Tigerman.

“O álbum toca este filme no momento em que o filme inspira o álbum. Mas a banda sonora foi feita ‘a posteriori’. Isto é como se fosse um caminho para chegar ao disco, mas não tem fundamentalmente nada a ver, do ponto de vista musical”, esclarece Paulo Furtado.

Em palco e para o filme, The Legendary Tigerman toca “música em que as pessoas vão reconhecer traços daquilo que faço”, com guitarra elétrica “e mais relacionada com o dia”.

Depois há “um lado mais eletrónico e pesado, que vai ao encontro do universo do Pedro e da Rita”, que se enquadra “com a noite e o sonho”.

“Há um caminho que vai atrás do que o filme, o realizador e o cine-concerto precisa, e aí afasto-me bastante do meu universo”, admite Paulo Furtado.

Depois de Leiria (28 de janeiro), “How to become nothing” vai a Braga (04 de fevereiro), Ovar (09 de março), Faro (11 de março), Torres Novas (01 de abril) e Fundão (14 de abril).

A digressão contemplará mais datas este ano, ainda a definir, incluindo Lisboa, Porto e salas no estrangeiro.

O novo disco de The Legendary Tigerman sai em setembro, mas o filme estrear-se-á antes, num festival a anunciar.

Depois será exibido em algumas salas nacionais de cinema “e em Paris, Londres e Berlim, pelo menos”.

“How to become nothing”, sob o formato cine-concerto, foi apresentado pela primeira vez no festival Curtas de Vila do Conde, em julho do ano passado.

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