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Rui Daniel Silva já partiu à boleia para o Bangladesh

Manuel Leiria
Jornalista
manuel.leiria@regiaodeleiria.pt

Tempos houve em que a mãe desconfiava. Ele só podia ter uma namorada em Espanha. “Quando ia para o Iraque ou para o Paquistão dizia-lhe que ia para Espanha”. Para não preocupar a mãe, Rui Daniel Silva mentia sobre os destinos arriscados que o esperavam.

“Estava sempre a ‘ir’ para Espanha. E ela: ‘Lá estás tu a ir para Espanha”, ri-se. Hoje a mãe prefere nem falar nas viagens. É melhor: Rui já ultrapassou a centena de países visitados, quase todos fora das rotas turísticas convencionais.

Segue-se outra aventura incrível: o professor de piano tirou um ano sem vencimento no Orfeão de Leiria e vai ligar Leiria ao Bangladesh. Como? À boleia, de bicicleta, como calhar.

“Estive lá há três anos e aquilo é o caos”, conta. Ao longo de cerca de 40 mil quilómetros, vai cruzar 40 países por uma causa: ajudar as crianças do Bangladesh. “É dos países mais populosos e mais pobres do mundo”.

A viagem reverterá para a causa da Fundação Maria Cristina (é possível ajudar a causa na página criada pelo viajante em https://www.justgiving.com/fundraising/rui-daniel-silva) e será low cost: menos de 10 euros por dia, com mochila e tenda às costas:

“Mesmo que gaste quatro mil euros, é muito mais barato viajar assim para 40 países do que partir de Portugal para a Etiópia, Tanzânia, Quénia…”.

Serra Leoa, Sudão, Somália ou Afeganistão são alguns países que Rui Daniel vai juntar ao passaporte. A par da solidariedade, agrada-lhe “não ter relógio”.

“Motiva-me a aventura, apesar de que, por vezes, tenho medo”. Mas “há que seguir em frente”, porque “ninguém fica cá para semente”.

Quando lembramos que vai passar por alguns dos países mais perigosos do mundo, na África Central e Oriental ou Médio Oriente, replica:

“Há muitas coisas que a televisão não mostra. Se falarmos em Paquistão ou Nigéria, as pessoas ficam logo assustadas, porque ouvimos notícias más de lá. É essa a imagem com que ficamos. Quero ver os sítios com os meus próprios olhos”.

A solidão será um dos principais obstáculos. “É preciso estar bem psicologicamente”. Outro é a burocracia e as autoridades, que muitas vezes o atrasam e lhe cobiçam o meio de transporte preferencial: a bicicleta.

Com ele viaja uma melódica, para curar as saudades do piano. “Quando chegar ao Bangladesh conto dar aulas de música durante dois meses”.

“Para a maior parte das pessoas é incongruente dizer ‘vou para o Sudão ou para a Somália’ em vez de ‘vou para a República [Dominicana]’”, reconhece Rui Daniel, que agradece a boa vontade da direção do Orfeão de Leiria.

“Não há muita gente que me apoie. Faz-lhes confusão: sou efetivo, tenho um bom trabalho. Porque vou fazer isto?”.

A viagem está-lhe no ADN. Esta terça-feira, 24 de setembro, partiu de Leiria, à boleia, com destino a Marrocos. E dentro de um ano, como é? “Quem sabe se ainda vou à Coreia do Norte, porque não sei quando volto lá! [risos]”.

O mapa do trajeto que Rui Daniel Silva prevê fazer. Mas dificuldades burocráticas podem obrigá-lo a seguir outros caminhos até chegar ao Bangladesh

(Texto originalmente publicado na edição de 13 de julho, editado para publicação online)

Rui Daniel Silva

Nasceu no Luxemburgo em 1977 e há vários anos que ensina piano em Leiria. É um viajante veterano, tendo ultrapassado já os 100 países visitados, escolhendo sobretudo destinos longe das tradicionais rotas turísticas.

O REGIÃO DE LEIRIA acompanhou a partida de Rui Daniel Silva rumo a mais esta incrível viagem, que pode fazê-lo percorrer 40 mil quilómetros (veja o vídeo em cima). Terça-feira de manhã, dia 24 de setembro, arrancou do Largo da República, em Leiria, para o sul e ao fim do primeiro dia, após diversas boleias, chegou ao Algarve.

Acompanhe a viagem no Instagram e no Facebook. Para apoiar a causa da Fundação Maria Cristina, que trabalha a favor das crianças de Dhaka, no Bangladesh, e pela qual Rui Daniel Silva faz esta viagem, visite a página criada para o efeito.

 

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