Em tempos de Covid-19, há pequenos hábitos a adotar que podem ajudar a manter-se protegido. Conheça as principais recomendações (que aliás são muito semelhantes para todos os tipos de vírus) que cada um deve respeitar, para evitar desenvolver a infeção pelo novo Coronavírus.

Os 20 conselhos são de Fernando Mota Tavares, médico especialista em Medicina Interna

1. Evite ao máximo sair de casa.

2. Evite frequentar locais com muita gente. Opte por compras online. Evite deslocar-se aos diferentes serviços públicos, recorrendo aos meios digitais.

3. Não dê beijos, abraços ou cumprimentos com a mão.

4. Procure estar sempre a uma distância de um a dois me
tros de outra pessoa, se parecer saudável, e a cinco metros se parecer doente.

5. Evite levar as mãos à cara, nariz, boca, olhos.

6. Lave as mãos e pulsos, frequentemente. A lavagem das mãos deve ser feita com as mangas arregaçadas e efetuada durante 20-30 segundos, com bastante água corrente, utilizando detergente. A água bem quente será mais eficaz que a água fria. As toalhas para secar as mãos devem ser de utilização única, ou então, substituídas muito frequentemente. As mãos podem também ser desinfetadas com álcool em gel ou em solução alcoólica a 70%, tendo a noção, contudo, que a desinfeção só fica completa, quando as mãos ficarem secas. O álcool em concentração mais elevada não está indicado na desinfeção.

7. Nunca se esqueça dos três momentos chave de lavagem das mãos e pulsos: a) sempre que chega a casa; b) antes de mexer em alimentos; c) antes e depois de tocar na cara/boca/nariz/olhos.

8. Lave a cara e as mãos sempre que alguém tossir, espirrar ou assoar, perto de si ou sempre que alguém com suspeita de infeção lhe tiver tocado na face.

9. Logo que entre em casa, lave as mãos, lave a cara, desinfete as chaves de casa ou do carro e o telemóvel, com álcool a 70º; depois coloque a carteira ou outros pertences no chão ou numa cadeira e nunca em cima de mesas ou cómodas. Lembre-se que podem estar contaminados com o vírus. Tenha em mente também que ao fim de três dias, todos os vírus morrem, se não lhes tocarmos mais. Enquanto estiver fora de casa evite deixar os telemóveis, chaves do carro ou da casa em cima das várias superfícies. Mantenha-os protegidos, dentro dos bolsos ou em carteiras.

O Hospital de São João, no Porto, partilhou na sua página de Facebook um esquema que pode ajudá-lo a deixar o vírus fora de casa.

10. Beba bebidas bem quentes (mas não a escaldar), várias vezes ao dia, o vírus tem dificuldade em sobreviver a temperaturas acima de 28ºC.

11. Gargareje com soluções desinfetantes, antes do pequeno almoço, do almoço e do jantar, já que algumas dessas soluções têm capacidade de atenuar a concentração de vírus, que eventualmente tenha invadido a sua boca.

12. Não use dinheiro e não ande a utilizar repetidamente as caixas multibanco, provavelmente, dois importantes veículos de transmissão. Depois de lidar com dinheiro (notas ou moedas) ou de utilizar a caixa multibanco, lave imediatamente as mãos. Privilegie os pagamentos com cartões de débito, cartões que permitam o pagamento sem contacto e as aplicações disponibilizadas pelos telemóveis. A higienização dos cartões de débito ou crédito deve ser esclarecida pelo seu banco, mas a exposição ao sol pouco quente, pela ação dos ultravioletas, tem eficácia desinfetante e parece ser segura.

13. Se sentir alguém a tossir ou espirrar perto de si, afaste-se rapidamente dessa pessoa e deixe de respirar durante alguns segundos, até estar a mais de cinco metros dessa mesma pessoa. Se for você mesmo a tossir ou espirrar, ponha o seu cotovelo ou antebraço, um lenço ou qualquer outra barreira e desloque-se para uma área sem pessoas, de modo a diminuir a disseminação do eventual vírus, pelo ar. Se colocar a mão deve lavá-la de imediato. Se na sequência do espirro tiver que se assoar, coloque imediatamente o lenço no lixo e lave as mãos. É no momento da tosse, do espirro e do assoar que se verifica a maior concentração de vírus.

14. Use máscara se tiver que entrar num espaço fechado, nomeadamente, supermercado, mercado, centro comercial, loja, consultório, serviço público e, sobretudo, se tiver que recorrer ao centro de saúde, hospital, clínica médica, farmácia e transporte público, manifestamente, os cinco locais mais perigosos, para se contrair o vírus. Procure distanciar-se sempre das outras pessoas.

15. Lave em água corrente todos os produtos alimentares, antes de os colocar no frigorífico ou congelador e antes de os armazenar, como fruta, legumes, iogurtes, fiambre, pacotes de arroz, de massa, enfrascados, enlatados, etc. Tenha presente que os vírus não sobrevivem mais de três dias em superfícies secas.

16. Mantenha todas as superfícies, em particular, da cozinha e da casa de banho, sempre bem secas, para diminuir as hipóteses de sobrevivência do vírus. O coronavírus pode sobreviver seis dias ou mais em superfícies húmidas.

17. Desinfete regularmente com lixívia todas as superfícies que entrem em contacto com as compras que vai efetuando. Só a diluição de lixívia de
1:9 possui efeito desinfetante. Tenha à mão uma garrafa vazia de 1,5l, coloque 150ml de lixívia e encha depois a garrafa com água (cerca de 1350ml) ou num garrafão de água vazio de 5 litros, coloque 250ml de lixívia e encha-o depois com água (cerca de 4,75l). Deixe atuar 10 minutos. Coloque etiqueta com a palavra Lixívia no recipiente.

18. Evite recorrer aos centros de saúde e hospitais; adie as consultas médicas e cirurgias não urgentes.

19. Se começar com sintomas, nomeadamente febre (98% dos casos), arrepios de frio, tosse (76% dos casos), dores de garganta, dores no corpo, falta de força, falta de ar, ligue para a linha de saúde SNS24 (808 24 24 24) ou mande um email para atendimento@sns24.gov. pt. O escarro, a dor de cabeça e a diarreia não são frequentes. Se estiver com poucos sintomas, não fique preocupado, não saia de casa e evite transmitir a doença a outras pessoas, em particular, aos idosos e pessoas doentes. A infeção por coronavírus é assintomática ou pouco sintomática, em cerca de 85% dos casos. A falta de ar é o sintoma mais preocupante e, se presente, torna obrigatório a ida ao hospital.

20. Não entre em pânico e não valorize notícias falsas.

Artigo publicado na edição semanal do REGIÃO DE LEIRIA do dia 19 de março de 2020.