Os colaboradores da ANACOM explicaram como foram recolhidos os dados no local

O presidente da Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM), João Cadete de Matos, afirmou hoje, 1 de julho, que o concelho de Porto de Mós “precisa de uma melhoria significativa nas comunicações móveis”.

Na apresentação dos resultados do estudo realizado pela ANACOM sobre a qualidade do serviço de comunicações móveis no concelho, o responsável reconheceu dificuldades e defendeu que Porto de Mós “necessita de ver esta situação resolvida” porque tem uma população e atividade económica “relevantes”.

João Cadete Matos explicou que as características do território, constituído por serras e relevo acidentado, prejudicará a qualidade da rede de comunicações móveis. E, como nas zonas de baixa densidade populacional “o negócio é menos lucrativo”, isso pode afastar as operadoras, admitiu o responsável da ANACOM, que deixou algumas críticas implícitas:

“A situação em Porto de Mós já estaria hoje diferente se os três operadores que oferecem serviço estivessem de acordo em partilhar as suas redes”.

O responsável apresentou, por isso, algumas soluções para as zonas de baixa densidade populacional – o que no concelho se verifica apenas na freguesia de S. Bento -, como a partilha de infraestruturas, sejam condutas, postes ou torres, entre operadoras.

O estudo da ANACOM foi feito em resposta às dificuldades dos alunos de algumas freguesias do concelho, que sentiram dificuldades em assistir às aulas à distância, através da internet, durante a pandemia.

Os problemas de ligação, devido à fraca qualidade ou inexistência de rede em algumas freguesias, impossibilitaram ainda, de acordo com o presidente do município, Jorge Vala, que alunos do ensino superior regressassem a casa durante a quarentena e que alguns profissionais optassem pelo teletrabalho.

Foi o próprio Jorge Vala que convidou o presidente da ANACOM a constatar no terreno os problemas de acesso. Porque, apesar das operadoras garantirem assegurar uma boa cobertura de rede, no terreno a realidade é diferente, afirma o autarca.

O estudo hoje apresentado resultou de trabalho de campo no concelho que implicou 931 chamadas de voz, 6.057 sessões de dados e 532.924 medições de sinal de rádio.

O relatório revela que as freguesias de S. Bento, Alqueidão da Serra, Arrimal e Mendiga e Mira de Aire são as mais afetadas: os sinais de 2G, 3G e 4G são, em alguns casos, maus ou até inexistentes.

A transferência de ficheiros e a navegação na internet também revelou problemas nestes territórios.

No que respeita às chamadas de voz, as mesmas freguesias apresentaram falhas durante a chamada ou até falha no estabelecimento dessa comunicação.

Para o presidente da Câmara de Porto de Mós, o problema é “muito complexo”, mas a visita da entidade reguladora afigura-se “parte importante” para a resolução.

Jorge Vala avançou que vai reunir no próximo dia 8, quarta-feira, com a operadora Altice, para analisar o plano de investimentos previsto para Porto de Mós nos anos de 2020 e 2021. O município pretende reunir também com as restantes operadoras.

“Vamos apelar para que tenham este sentido público, sobretudo em relação aos cerca de 100 alunos que não conseguem ter acesso às aulas”, frisou.