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Sociedade

Sindicato acusa Centro Hospitalar de Leiria de continuar sem dar resposta aos enfermeiros

Pandemia coloca “um dilema” à classe, porque qualquer processo de luta “não é positivo”, reconhece um responsável do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses.

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) acusa o conselho de administração do Centro Hospitalar de Leiria (CHL) de continuar sem responder à resolução dos problemas destes profissionais, exemplificando com o reposicionamento remuneratório ou o horário de trabalho.

“O balanço não foi nada positivo. O conselho de administração continua sem responder à resolução dos problemas que os enfermeiros esperam que sejam resolvidos”, afirmou à agência Lusa Rui Marroni, membro da Direção Nacional do SEP, após uma reunião no CHL.

O dirigente explicou que há enfermeiros “sem o reposicionamento remuneratório que é devido desde 2018”, precisando haver profissionais com 24 ou 25 anos de exercício que “estão a receber exatamente o mesmo que os colegas que acabam o seu primeiro mês de trabalho”.

Quanto à questão dos horários, “o conselho de administração continua a dizer que está a estudar, está a equacionar, mas ainda não regularizou a situação dos horários”, isto é, “a distribuição média de oito horas por cada período de trabalho”, o que cria “constrangimentos na prestação de cuidados”.

Por outro lado, segundo o SEP, o Centro Hospitalar de Leiria “continua sem contabilizar o período de passagem de turno, o período da reunião em que é transmitida a informação de serviço aos colegas que entram”.

“Ou seja, não temos respostas conclusivas relativamente às matérias que continuam por resolver”, o que se traduz em “prejuízo para os enfermeiros”, resumiu Rui Marroni, referindo estar agendada nova reunião para a segunda quinzena de julho.

Questionado sobre o que resta fazer face à não resolução dos problemas suscitados pelo SEP, o dirigente sindical respondeu: “É um dilema. Estamos numa fase de pandemia, desencadear um processo de luta, uma greve, não é positivo, vamos agravar mais os problemas dos utentes e criar mais constrangimentos na prestação de cuidados. Resta-nos esta denúncia”.

Rui Marroni lamentou que o conselho de administração do CHL continue sem “resolver muitos problemas que muitos outros conselhos de administração já resolveram”, observando que se o CHL “tem autonomia para resolver algumas coisas, também poderia ter autonomia para resolver estes problemas”.

Em resposta à Lusa, o CHL assegura que “não existem enfermeiros por reposicionar desde 2018”, notando que “todos os trabalhadores elegíveis foram objeto de reposicionamento na carreira” ao abrigo das leis dos orçamentos do Estado para 2018 e 2019.

Já no que se refere aos horários, o CHL explica que o modelo “praticado está em constante avaliação”.

“Atualmente, e desde 2018, está em uso o modelo de horários que já tinha vigorado no CHL até 2014. A retoma da jornada de oito horas corresponde ao modelo de horários que o CHL praticou entre 2014 e 2018, e será retomado caso circunstâncias supervenientes venham a ditar essa necessidade”, adianta.

Sobre o período de passagem de turno, “está, neste momento, a ser reavaliado por consideração das características assistenciais de cada unidade orgânica do CHL, preconizando-se uma solução à medida das necessidades funcionais de cada serviço, perspetivando-se que seja possível concluir esse levantamento em breve”.

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