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Quinta do Alçada com ruas “rebatizadas” em nome da igualdade de géneros

Crianças do bairro da União das Freguesias de Marrazes e Barosa escolheram novos nomes femininos para as sete ruas que têm nomes exclusivamente masculinos.

Crianças do Redes na Quinta escolheram mulheres importantes nas suas vidas para renomear simbolicamente as ruas do bairrro FOTO: Luís Melo/UFMB

Houve orgulho, cobiça e até um susto. As sete ruas da quinta do Alçada, nos Marrazes, foram “rebatizadas” no início de junho com nomes de mulheres escolhidos por crianças dos 8 aos 10 anos. No âmbito da iniciativa “Pelos caminhos da igualdade: Toponímia em feminino na União das Freguesias de Marrazes e Barosa” (UFMB), os participantes do projeto Redes na Quinta, da InPulsar, foram desafiados a conhecer a quase invisibilidade feminina nas placas que dão nome às ruas do bairro, da freguesia, das maiores cidades portuguesas e também das principais capitais europeias.

Na quinta do Alçada, a desigualdade é total: todas as sete ruas têm nomes de navegadores. “Eles não sabiam como se chamavam as ruas e não conseguiram perceber porque não existem mais ruas com nomes de mulheres”, lembra a secretária da UFMB, Catarina Dias. E então foi-lhes lançado o desafio: dar nome às ruas do bairro.

A maioria escolheu familiares – “a mãe, a avó, a irmã” – mas um, “o Lourenço”, quis ter a rainha D. Maria I na sua placa. “Disse que era uma rainha que tinha feito muito bem, porque tinha construído escolas e orfanatos para as crianças”.

As crianças escolharam mulheres importantes nas suas vidas para as placas que colocaram nas sete ruas do bairro. Quase todos elegeram nomes de familiares, mas Lourenço homenageou a Rainha Maria I Foto: Luís Melo/UFMB

No início de junho, as crianças afixaram as 23 placas. “Tiveram oportunidade de ser uma voz ativa no espaço público e ficaram super-empolgados”, recorda Catarina Dias. Cada uma desenvolveu “um real sentido de pertença do espaço”, à medida que via os nomes das familiares nas paredes. “Sentiram-se representados”.

A partir daí, famílias foram procurar a “sua” placa mas, lamentavelmente, algumas foram arrancadas. E à UFMB chegou o contacto de uma moradora assustada com a súbita mudança e preocupada com as alterações burocráticas necessárias.

“Foi uma forma de chamar a atenção para a situação”, explica Catarina Dias. E “Toponímia em feminino” já dá frutos: “Sempre que se fala em toponímia, agora a premissa primeira é ter nome de mulher”, nota. Em breve haverá uma nova rua no feminino, mas há um longo caminho a fazer na UFMB: apenas 4% das ruas têm nome de mulheres.