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No País da troikada: Governo iogurte

Confesso que para esta crónica tinha uma tonelada de coisas para vos contar.

João Paulo Marques, professor do Ensino Superior Politécnico joao.paulo@regiaodeleiria.pt

Confesso que para esta crónica tinha uma tonelada de coisas para vos contar. Mas com a crise e o racionamento de espaço, terão de ficar para depois. Também eram só disparates, como podem ver. Num programa da nossa querida televisão, um prémio Nobel da Medicina teve o descaramento de dizer que Portugal tinha um excelente sistema de ensino. O cavalheiro só podia estar a alucinar. E imaginem vocês, que os nossos jovens cientistas estão a ganhar prémios no estrangeiro. Com trabalhos feitos lá… e cá também. Bom, todos sabemos que o estrangeiro já não é o que era. Agora aceitam tudo. E, notícia da semana passada… pasme-se! Até o melhor banqueiro do mundo… é português!

Com tudo isto, a nossa proteção civil diz que entrámos na fase “charlie” de combate a incêndios. Não podíamos chamar-lhe “Carlos”?”Manel”?”Chico”? Ou mesmo “Albertina”, já que fase é feminino?

Por fim, o título desta crónica. A coisa até me parecia um mote interessante para falar da crise. Mas quem é que liga a isso nos dias de hoje? Depois acabei por chegar à conclusão que para chamar iogurte ao governo, além do prazo de validade, ele tinha que ser fresco. Mas de frescura, em abono da verdade, ele não tem nada. Feita esta análise, acabei por desistir do mote em que tinha pensado. Acho que fiquei completamente encavacado. Resta-me a consolação de não ter sido o único.

(texto publicado na edição de 18 de julho de 2013)