João Melo Alvim, advogado jmalvim@gmail.com

Não sou crítico de cinema, mas tendo a oportunidade de escrever sobre o tema, não a enjeito. Agradeço, por isso, o espaço que me foi cedido para estas crónicas sobre a 7ª Arte. Não podia deixar de começar por um dos nomes que me tornou um apaixonado do cinema: Woody Allen.

Com ele, a comédia uniu-se à inteligência. E com ele, nunca uma qualquer dúvida e receio humano ficaram por filmar, sempre com humor cáustico. Tudo começou com “O Inimigo Público”, onde começou a definir as regrasdo seu universo cinéfilo.

Depois “Annie Hall”, a melhor comédia romântica de sempre, embora “Manhattan” mereça uma referência. Mais tarde, o excepcional “A Rosa Púrpura do Cairo” será uma das criações mais emotivas e sensíveis do realizador.

Filmando regularmente, encontramos excelentes filmes (“Ana e as Suas Irmãs”, “Poderosa Afrodite” ou “Balas Sobre Broadway”).

Mas a genialidade de outrora só regressa com “Match Point”, obra-prima filmada num novo cenário (Londres) com nova banda sonora. É uma história sobre amor, traição, crime e castigo que agarra a audiência até ao final.

Realço ainda pequenas pérolas como “Tudo Pode Dar Certo” e “Vais Conhecer o Homem dos Teus Sonhos”, obras aparentemente menores, mas que não deixam de ser oportunas reflexões sobre o amor e a vida.

Nos ecrãs está a sua última obra, “Meia-Noite em Paris”, na qual se reflecte, com recurso a muito surrealismo e alguma ironia, sobre como viver no passado compromete a felicidade do presente. Sem Woody Allen, o cinema não teria sido o mesmo. Menosprezar toda a sua força criativa construída a partir de um sentido de humor peculiar que ele conseguiu transformar na sua imagem de marca é negar que o cinema, mais que diversão, também pode ser um exercício de inteligência.

(texto publicado na edição em papel de 4 de Novembro de 2011)