Annarella Sanchez está frustrada com o processo que levou à não-eleição das Brisas do Liz com uma das “7 maravilhas doces” de Portugal. A professora de dança alega ter estado quase isolada no esforço de promoção durante a campanha e nas galas transmitidas pela RTP e acredita que o doce típico de Leiria não foi eleito por falta de mobilização da comunidade.

“As Brisas não chegaram mais longe porque as pessoas não se envolveram. O vereador e agora presidente [da Câmara Municipal de Leiria] Gonçalo Lopes, ligou-me para que partilhássemos e fizéssemos fotografias com os nossos bailarinos. Fizemos fotografias com o António [Casalinho] e com os meninos todos com as Brisas. Fizemos grande publicidade mas pouca gente fez como nós”, disse ao REGIÃO DE LEIRIA.

A responsável pela Academia e Conservatório Internacional de Ballet e Dança defende que houve “falta de união e falta de partilha”, o que impediu a eleição como “maravilha doce”. “Isso acontece muitas vezes e prejudica gravemente esta cidade. Este foi só mais um exemplo”. 

Annarella aponta especificamente o dedo ao coordenador da candidatura de Leiria a Capital Europeia da Cultura: 

Paulo Lameiro tem de ser criticado. É uma pessoa que está a representar a cultura de Leiria. Como é que uma pessoa que está a tentar levar Leiria a ser Capital Europeia da Cultura não faz nenhuma promoção na sua página no Facebook pelas Brisas do Liz e pela cidade… Que exemplo é esse?”.

Contactado pelo REGIÃO DE LEIRIA, Paulo Lameiro não quis comentar.

Segundo a professora de dança cubana, em Leiria “as pessoas cá só vivem para eles, não partilham o que os outros fazem nem se mobilizam”.

E dá como exemplo a meia final do concurso “7 maravilhas doces”: 

“Para Ferreira do Zêzere tinha 12 pessoas para irem ver e apoiar. Pedi transporte à Câmara, que tinha um autocarro para 35 pessoas. Pediram-me para arranjar mais pessoas [para preencher os lugares] porque, sem ser nossos, de Leiria só foram mais três pessoas… Todos vestimos a camisola amarela mas era estranho se entrevistassem lá alguém nosso sobre as Brisas do Liz! Nós éramos espanhóis, mexicanos, italianos, brasileiros… Ninguém falava português como deve ser!”. 

Annarella reconhece que, localmente, a campanha resultou: “A Noite Amarela chamou muita gente mas…. e depois? Podia-se ter feito mais se as pessoas tivessem colaborado mais. Cá em Leiria fez-se a Noite Amarela mas lá para fora não se fez nada! Por isso é que ninguém votou nada nas Brisas”.

Empenhando os seus bailarinos e equipa voluntariamente – “ninguém me obrigou a fazer nada” -, a professora diz que, “à exceção de uma escola de acordeões da Caranguejeira”, os restantes convidados a associarem-se à festa final em nome de Leiria recusaram. 

O presidente da junta disse-me que fez um pedido a todos os ranchos e grupos de música para irem apoiar, mas todos só iam se lhes pagassem!”, indigna-se.

Na final, Leiria apresentou-se “em minoria”. “Comparando com as claques do norte do país, notou-se bem a diferença. Eles mobilizaram-se pelo que sentem no coração e por isso quase todos os vencedores foram do norte. No norte sentem a terra, há união. Eles estavam a acreditar no que estavam a fazer”, realça, acrescentando:

“Em Leiria as pessoas vivem de uma imagem que não é realidade. [Filipe] La Féria tem razão nas críticas que fez, quando disse [no programa ‘Got Talent’, da RTP, em maio de 2018] que em Leiria não se passa nada. Não podemos ficar ofendidos com isso. Quem assistiu [à final das ‘7 maravilhas doces’] viu em que em Leiria não se passa nada! E o que disse o David Fonseca sobre a Capital Europeia da Cultura [ao “Jornal de Leiria” em julho de 2018, sobre Leiria não ter hipóteses de vencer] também é verdade: não se faz nada. Há falta de vontade. Falta deixar de ser província”.

ML