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Cultura

Adaptação à pandemia permitiu ao festival Música em Leiria resistir com sucesso

Festival organizado pelo Orfeão de Leiria está na reta final e, mesmo com as limitações sanitárias impostas, tem tido lotações esgotadas. Hoje leva uma ópera de bolso a Pombal.

No primeiro espetáculo desta edição com lotação total, o Teatro José Lúcio da Silva esgotou para ver “The Opera Locos” Foto: Sérgio Claro/Orfeão de Leiria

Organizar um festival em pandemia pode revelar-se uma tarefa algo louca. Nem de propósito: no primeiro concerto do “Música em Leiria” sem restrições de bilheteira impostas pela Covid-19, o Teatro José Lúcio da Silva encheu para ver o divertido e virtuoso “The Opera Locos”. “Foi maravilhoso: o público rendido do princípio ao fim, a lotação esgotadíssima; foi a ‘cereja’ no ‘topo do bolo’”, diz o presidente do Orfeão, Vítor Lourenço, sobre o espetáculo que chegou de Espanha.

Mesmo com restrições, alterações, avanços e recuos impostos pela pandemia ao longo do ano, o festival tem cumprido o programa disperso por 2021, pensado para enfrentar uma realidade que o “Música em Leiria” nunca conheceu em 38 edições anteriores. “Esgotámos sempre o Teatro José Lúcio da Silva. Houve gente que ficou à porta”, realça Vítor Lourenço”. Mesmo com limitações, está a ser um sucesso”.

Na reta final, ainda há propostas do festival para descobrir: já este sábado, dia 23, no Teatro-Cine de Pombal (21h30, 5 euros) estreia “La vida secreta”, ópera de bolso criada e dirigida por Nuno Côrte-Real a partir do legado de Salvador Dalí, com música do Ensemble Darcos. Trata-se de uma encomenda do “Música em Leiria” e do Cistermúsica e vai também no domingo, dia 24, ao Cine-Teatro de Alcobaça (17 horas, entrada livre).

Terça-feira, dia 26, é a vez do trio de Pedro Caldeira Cabral fazer o Teatro José Lúcio da Silva (21h30, entrada livre) viajar até à música da Idade Média. Numa parceria com o Politécnico de Leiria, convida-se à redescoberta de repertório dos séculos XII a XV, feita com instrumentos antigos, hoje raros ou desaparecido.

Em novembro, o festival estreia uma encomenda muito especial: “El retablo de Maeses Pedro” é uma ópera em um ato, de Manuel de Falla, com libreto baseado num episódio de “D. Quixote”, de Miguel Cervantes. A história será contada pela S.A.Marionetas e Orquestra Filarmónia das Beiras. “É uma produção com contorno inéditos, que junta o nosso festival, o Cistermúsica, as marionetas de Alcobaça, a Filarmónica e a Universidade de Aveiro”, destaca o presidente do Orfeão.

Para lá do festival, a instituição recupera a bom ritmo, tanto em número de alunos como de atividades: “Vamos ter 35 apresentações públicas desde o fim de setembro a dezembro. É um programa muito intenso, de atividade quer interna, aberta à comunidade, quer pensada para o público”, conclui Vítor Lourenço.

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