
Organizar um festival em pandemia pode revelar-se uma tarefa algo louca. Nem de propósito: no primeiro concerto do “Música em Leiria” sem restrições de bilheteira impostas pela Covid-19, o Teatro José Lúcio da Silva encheu para ver o divertido e virtuoso “The Opera Locos”. “Foi maravilhoso: o público rendido do princípio ao fim, a lotação esgotadíssima; foi a ‘cereja’ no ‘topo do bolo’”, diz o presidente do Orfeão, Vítor Lourenço, sobre o espetáculo que chegou de Espanha.
Mesmo com restrições, alterações, avanços e recuos impostos pela pandemia ao longo do ano, o festival tem cumprido o programa disperso por 2021, pensado para enfrentar uma realidade que o “Música em Leiria” nunca conheceu em 38 edições anteriores. “Esgotámos sempre o Teatro José Lúcio da Silva. Houve gente que ficou à porta”, realça Vítor Lourenço”. Mesmo com limitações, está a ser um sucesso”.
Na reta final, ainda há propostas do festival para descobrir: já este sábado, dia 23, no Teatro-Cine de Pombal (21h30, 5 euros) estreia “La vida secreta”, ópera de bolso criada e dirigida por Nuno Côrte-Real a partir do legado de Salvador Dalí, com música do Ensemble Darcos. Trata-se de uma encomenda do “Música em Leiria” e do Cistermúsica e vai também no domingo, dia 24, ao Cine-Teatro de Alcobaça (17 horas, entrada livre).
Terça-feira, dia 26, é a vez do trio de Pedro Caldeira Cabral fazer o Teatro José Lúcio da Silva (21h30, entrada livre) viajar até à música da Idade Média. Numa parceria com o Politécnico de Leiria, convida-se à redescoberta de repertório dos séculos XII a XV, feita com instrumentos antigos, hoje raros ou desaparecido.
Em novembro, o festival estreia uma encomenda muito especial: “El retablo de Maeses Pedro” é uma ópera em um ato, de Manuel de Falla, com libreto baseado num episódio de “D. Quixote”, de Miguel Cervantes. A história será contada pela S.A.Marionetas e Orquestra Filarmónia das Beiras. “É uma produção com contorno inéditos, que junta o nosso festival, o Cistermúsica, as marionetas de Alcobaça, a Filarmónica e a Universidade de Aveiro”, destaca o presidente do Orfeão.
Para lá do festival, a instituição recupera a bom ritmo, tanto em número de alunos como de atividades: “Vamos ter 35 apresentações públicas desde o fim de setembro a dezembro. É um programa muito intenso, de atividade quer interna, aberta à comunidade, quer pensada para o público”, conclui Vítor Lourenço.