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Candidatura de Leiria a Capital Europeia da Cultura adota gestão “mais liberal e menos institucional”

Recurso da decisão do Tribunal de Contas sobre régie cooperativa não avança em nome do esforço de apresenção da candidatura, que adota Modelo Não Institucional de Cooperação Contratualizada.

Imagem promocional da Rede Cultura 2027 Leiria, com o logótipo branco sobre fundo magenta. Apresenta o endereço www.redecultura2027.pt.

A candidatura de Leiria a Capital Europeia da Cultura 2027 não vai recorrer da decisão do Tribunal de Contas (TdC), que recusou a constituição enquanto régie cooperativa, tendo anunciado hoje a adoção de um modelo de gestão “mais liberal e menos institucional”.

A decisão do Conselho Geral (CG) da Rede Cultura 2027 surge na sequência da rejeição de visto pelo TdC à solução de associação proposta pelos 26 municípios envolvidos no projeto, sendo justificada pelo esforço necessário à apresentação da candidatura.

Em comunicado, o CG sustenta que, “dando prioridade à intensa agenda que a Rede Cultura 2027 tem em mãos e à irreversível candidatura”, não será apresentado recurso da decisão do TdC para evitar “uma litigância necessariamente demorada, concentrando-nos antes em dedicar todos os nossos esforços, energias e foco para realizar a importante missão que todos temos em mãos”.

Em alternativa, será adotado “um modelo mais liberal e menos institucional” de gestão, o Modelo Não Institucional de Cooperação Contratualizada, solução “já parcialmente em uso na gestão quotidiana dos projetos que temos em curso” e que “será robustecida”.

Segundo o CG, “conforme reconhece o Tribunal, [esse modelo] permitirá executar e financiar o ambicioso programa de atividades que subscrevemos e do qual, por nos ser essencial, não abdicamos em nenhuma dimensão”.

A Rede Cultura 2027 acrescenta que, “mesmo quando dele discorda”, o TdC é “um inestimável parceiro institucional”, e avança que, em alternativa ao recurso, ao tribunal será entregue uma exposição que “rebata os pontos principais mencionados no seu acórdão como problemáticos”. 

A candidatura insiste que a régie cooperativa “era a que melhor serviria” as pretensões, mas reconhece que, “sendo uma solução jurídica pioneira”, é necessário “um trabalho adicional”. Por isso, continua a perseguir uma solução que possa “traduzir tudo o que esta Rede efetivamente é já num modelo jurídico que lhe seja fiel e suficiente”. 

O CG lembra que se aproxima uma “etapa importantíssima”, a formalização da candidatura, que exige “uma permanência jurídica que permita uma maior flexibilidade de atuação e uma mais veloz rapidez de resposta”, que “não frustre a missão institucional e as expectativas cidadãs já irreversivelmente colocadas nela”, tanto “pelas entidades” como “pelos cidadãos”.

Em “pleno funcionamento jurídico” desde fevereiro de 2019, a candidatura de Leiria a CEC lembra que tem realizado “intensa atividade em plena legalidade”, garantindo que o objetivo principal, a submissão do processo, “não está dependente de calendários processuais, judiciais nem, sequer, eleitorais”.

“Reiteramos a aposta coletiva e unânime de todos os 30 membros deste Conselho Geral na candidatura a Capital Europeia da Cultura 2027 e na Rede Cultura 2027”, reforça o CG. 

O TdC recusou o visto à constituição da régie cooperativa em março, apontando ao pedido falta de “sustentação jurídico-normativa”, nomeadamente pela natureza exclusivamente autárquica dos cooperantes, considerando no acórdão que a associação “enferma de nulidade”.


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