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Leva se quiseres: A insustentável pobreza do ser

Combatemos a pobreza e o desemprego por razões erradas.

Tiago Granja Carvalho, bancário tiagogranja2000@gmail.com

Combatemos a pobreza e o desemprego por razões erradas. Não porque amamos o próximo, mas porque não gostamos de ver “gente pobre e desempregada”. O mesmo acontece com os doentes; a velhice; a deficiência; etc. Iludimo-nos.

Achamos que combater uma condição é sermos mais humanos. Mas não é. Não os queremos é por perto. Os arquétipos com que o “matrix” nos adormece (gente bela de sucesso rica e com saúde) não contribui para promover a proximidade nem nos convida à partilha, pelo contrário, silenciosamente, marginaliza com pitadas de caridadezinha hipócrita. Muitos acusam “essa gente” de não criar riqueza, de não pagar impostos e consumirem dinheiros públicos. Esta moral violenta e rude reduz o “piegas” à sua condição de fraco e oprimido. Paremos com a falsa superioridade moral. A condição de um ser não o define. O desemprego não é a “peste negra” revisitada. A economia ensina que nenhum agente económico tem incentivo natural à criação de emprego (antes pelo contrário). É por isso que o emprego é um objetivo essencialmente político, um bem social que se encontra consagrado na declaração universal dos direitos do homem.

PS: multiplique 923 mil desempregados por 50 mil euros (custo de 12 anos de escolaridade). Resultado: 46 mil milhões de euros (!!) que nos saíram do bolso. À Troika pedimos 78 mil milhões…

(texto publicado a 7 de marco de 2013)