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Pedaços de nós: Uma flor contra o racismo

Assim, hoje poderá ser surpreendido na rua da nossa cidade por um dos nossos voluntários que lhe oferecerá um marcador com uma flor e uma frase alusiva.

Susana S. Ferreira, Voluntária da AMIGrante e investigadora na área das migrações e segurança srsferreira@gmail.com

Tire o seu racismo do caminho que eu quero passar com a minha cor.” (Georges Najjar Jr.)

Celebra-se hoje, dia 21 de março, o Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial, que este ano tem como lema “O Racismo e o Desporto”.

Termos como “racismo”, “xenofobia” e “etnocentrismo” descrevem atitudes e práticas discriminatórias. O racismo, enquanto forma de categorização de outros grupos como diferentes ou inferiores, é uma construção social que nasce de preconceitos, de ideias pré-concebidas e pré-construí­das. As atitudes racistas e discriminatórias procuram mostrar a superioridade do grupo dominante sobre o outro, o diferente.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos consagra, desde logo, no seu artigo 1º que “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos”. Também a Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia sagra no seu artigo 21º que “é proibida a discriminação em razão, designadamente, do sexo, da raça, cor ou origem étnica ou social, características genéticas, língua, religião ou convicções, opiniões políticas ou outras, pertença a uma minoria nacional, riqueza, nascimento, deficiência, idade ou orientação sexual”.

Em Portugal existe a Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial (CICDR), uma comissão especializada, a qual presta apoio jurídico e psicológico a vítimas imigrantes e de discriminação racial ou étnica e recebe queixas de atos discriminatórios. Apesar da existência de vários instrumentos legais internacionais, europeus e nacionais, que oferecem proteção contra todas as formas de discriminação, a verdade é que o racismo ainda está presente, mesmo que subtilmente, no nosso quotidiano, nas nossas escolas, nos nossos locais de trabalho, etc. E as vítimas sofrem muitas vezes em silêncio.

A iniciativa “Uma Flor contra o Racismo” desenvolvida pela AIPA (Associação dos Imigrantes nos Açores) e à qual este ano a AMIGrante adere, tem como objetivo sensibilizar a comunidade local para a eliminação do racismo. Assim, hoje poderá ser surpreendido na rua da nossa cidade por um dos nossos voluntários que lhe oferecerá um marcador com uma flor e uma frase alusiva. E porque não fazê-lo por iniciativa própria? Pegar numa flor, escrever uma mensagem contra o racismo e oferecê-la a um estranho… Porque os pequenos gestos fazem a diferença, diga não ao racismo!

(texto publicado a 21 de março de 2013)